QUEM SOMOS
CEI e Instituto Edna Souza
Se o adulto se salvar primeiro, há ainda uma esperança de salvar a criança.
Primeiro você e depois quem precisa
"Em caso de despressurização da cabine, máscaras de oxigênio cairão automaticamente. Puxe uma das máscaras, coloque-a sobre o nariz e a boca ajustando o elástico em volta da cabeça e respire normalmente, depois auxilie a criança ou o idoso ao seu lado"
Achei muito estranho quando escutei este anuncio pela primeira vez durante a apresentação das instruções de segurança em um avião, e fiquei aterrorizado imaginando a cena. Como assim? Os últimos? Tão indefesos? Eu preciso cuidar deles! Esta orientação vai contra meu instinto de proteção.
Mas a verdade é que, basicamente, se a cabine de uma aeronave perder a pressurização, em alguns segundos nós desmaiaríamos por falta de oxigênio. As máscaras nos forneceriam oxigênio para ficarmos conscientes por mais algum tempo. Muitas crianças e idosos não conseguem alcançar as máscaras dos seus assentos ou não tem ainda a habilidade para colocar as máscaras sozinhas ou podem entrar em pânico. Se os adultos tentarem colocar as máscaras nas crianças e idosos primeiro, eles podem desmaiar antes. Mesmo que as crianças consigam colocar suas máscaras primeiro, elas não conseguiriam alcançar a máscara para salvar o adulto.
Este procedimento de emergência nos ensina muito sobre a vida e como ser pais e voluntários. Quando nos tornamos pais, a primeira coisa que nos ocorre é a obrigação de dar o melhor de si sempre para o filho. Dar o melhor de si para o filho ou para nossos idosos pode ser considerada a mais elevada intenção que se pode ter. É o impulso do pai provedor da família regendo a função paterna e de apoio. Isto pode nos causar angústia e frustração, ou achamos que estamos fazendo pouco. Tudo isso porque existe uma Lei do Universo a qual todos estamos submetidos que é implacável:
Você pode querer ser melhor porque se tornou adulto, mas você não deixa de ser você porque agora tem um filho ou um familiar idoso. Todas as suas verdades, desejos, valores, ideais, expectativas e também suas frustrações, medos, inseguranças, ressentimentos estarão dentro de você ditando seu comportamento e é isto que você tem a oferecer a seu filho, ou a quem precisa de sua ajuda, principalmente nos momentos de turbulência nos quais somos atropelados pelo nosso inconsciente e agimos no automático.
Se quisermos nos tornar bons, em ajudar os outros, devemos voltar toda a nossa atenção e energia a nós mesmos e não à eles. O que pode parecer a princípio um ato de apenas amor próprio ou egoísmo, é na verdade a condição para ser capaz de cuidar do outro. O melhor que você pode fazer por eles é cuidar bem de você, e se preparar da forma melhor e mais profissional.
Vivemos tempos turbulentos ultimamente. A sociedade atual é marcada pela rapidez das informações e avanço de novas tecnologias que modificam o modo de pensar e de viver das pessoas. As regras e valores já não são tão rígidos como na época dos nossos pais. Os modelos e paradigmas são quebrados em uma frequência frenética, como se o mundo não tivesse mais referência, previsibilidade e controle. Tudo é muito rápido e não temos tempo.
Volte toda a sua atenção a melhorar você; a sua esposa; gaste tempo em se preparar para atender quem precisa. Descubra quem você é e construa quem você quer ser. Sem claro esquecer da sua família.
O "bom pai" suporta emocionalmente a família, mesmo longe, aponta direções e estabelece regras, mesmo perdendo a batalha semeia para o futuro da vida. Para que ele exerça esta função é necessário que ele se mantenha bem sobre o próprio eixo, com seu "estoque de oxigênio" pleno. Esta é uma condição necessária para estar apto a colocar a máscara no filho que não alcança, ou no idoso que não tem habilidade para colocá-la sozinho ou entra em pânico. Se você cumprir bem esta missão, tera feito um ótimo trabalho..
Ser voluntário neste cenário contemporâneo exige sustentação da estrutura da pessoa na turbulência.
Nós só podemos dar aquilo que temos. Simples assim.
Se o adulto se salvar primeiro, há ainda uma esperança de salvar a criança e quem precisa..
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